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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Dicas para apresentação em eventos científicos


A seguir você encontrará algumas recomendações que podem auxiliá-lo na preparação e apresentação de trabalhos orais em eventos científicos. Você também encontrará algumas dicas relacionadas à conduta da audiência nesses contextos. Afinal, o sucesso de um evento científico depende não só da qualidade dos trabalhos apresentados, mas também da postura da audiência. Antes de prosseguir, cabe um alerta. Não encare essas dicas como uma “receita de bolo”, mas tão somente como diretrizes para ajudá-lo na tarefa de elaborar, apresentar e apreciar um trabalho científico. Uma apresentação oral pode ser entendida como uma exposição metódica sobre determinado assunto (REY, 1997). Isso significa que essa apresentação deve ser orientada por um plano ou conjunto de regras sancionado pela comunidade científica da qual você faz parte. Geralmente, os eventos científicos comunicam algumas diretrizes para orientar os participantes a preparar seus trabalhos. Por isso, antes de qualquer coisa, cabe a você conhecer essas normas. Não obstante a especificidade de cada evento, você pode tomar alguns cuidados comuns:


1) NO MOMENTO DA PREPARAÇÃO DO TRABALHO A SER APRESENTADO:
i) Planeje a apresentação. Não tente improvisar; o fato de você dominar um assunto não o dispensa da tarefa de traçar um plano expositivo (REY, 1997). A falta de um planejamento presumivelmente acarretará em outro erro que se denunciará no momento da apresentação: a perda do domínio da matéria ou assunto. Nesse caso a pessoa provavelmente perderá tempo em seções ou tópicos do trabalho que não são importantes, além de se repetir ou divagar enfadando a audiência.
ii) Conheça o tempo disponível para a apresentação. Cada evento científico estipula um tempo específico para cada tipo de trabalho. Você precisa conhecer previamente essas informações para preparar a sua apresentação em função do tempo disponível em sua modalidade de trabalho. Negligenciar isso pode levá-lo a ultrapassar o tempo, prejudicando as apresentações de outros colegas. Pense: em apresentações muito breves, segundos são preciosos, e ninguém ficará satisfeito de você “roubar” alguns deles por falta de preparação.
iii) Cuidado com a formatação. Evite utilizar programas que só o seu computador processa, pois você pode perder todo o seu trabalho, e prejudicar sua apresentação quando o computador disponibilizado pelo evento não abre seu arquivo.
iv) Avalie a audiência. Uma coisa é apresentar um trabalho para pessoas leigas, outra para colegas de sala, e outra ainda para uma audiência especializada. Embora todo trabalho deva ser orientado por uma teoria, o emprego de termos técnicos muito específicos, bem como o aprofundamento de alguma questão. Em eventos científicos, você encontrará uma audiência especializada, que vai desde alunos até professores, passando por outros profissionais da área e, eventualmente, de áreas afins. Isso exigirá de você o domínio de uma linguagem técnica, porém, acessível.
v) Faça uma estimativa do número de slides de acordo com o tempo que dispõe. É fisicamente impossível projetar 82 slides em 15 minutos. Rey (1997) sugere a seguinte relação:

Duração em minutos Número de slides
25 10-16 (ideal – 13)
15 6-9 (ideal – 7)
10 4-6 (ideal – 5)

1) ALERTA: trata-se de uma estimativa, portanto, isso não deve ser empregado de modo rígido. O número de slides vai depender do tipo de trabalho, do conteúdo, e da sua habilidade em desenvolver os tópicos do trabalho sem muito apoio textual.

2) DURANTE A APRESENTAÇÃO DO TRABALHO:
2.1) Quanto à postura e ao modo de falar:
- Use uma indumentária adequada para a ocasião. Longe de ser pedantismo, a função de uma roupa discreta é manter a audiência atenta ao que você está falando e não ao que você está ou não vestindo;
- Fale de modo conciso, claro e objetivo, empregando um vocabulário correto e adequado ao contexto acadêmico. Não use linguagem chula ou gírias;
- Apresente o trabalho com cuidado. Não trate seu assunto com desleixo e falta de compromisso, como se o assunto fosse enfadonho, óbvio ou inútil;
- Não apresente o trabalho com arrogância ou com um tom professoral, subestimando a capacidade cognitiva da audiência;
- Fique atento ao tom de voz. Não fale muito baixo, nem grite. No caso de salas grandes você provavelmente terá que falar no microfone, o que demanda um cuidado suplementar (muita gente acaba distanciando-se gradualmente do microfone, de modo que ao final da apresentação ninguém ouve o que está sendo dito; uma dica útil é manter o microfone em contato com seu queixo);
- Apresente o trabalho com entusiasmo. Não fale em tom monótono;
- Fale pausadamente. Cuidado para não falar muito rápido de modo que as pessoas não consigam acompanhar o encadeamento do seu trabalho;
- Não faça muitas pausas para falar, pois isso “quebra” a atenção do ouvinte;
- Evite os cacoetes ou tiques linguísticos, como: “tipo assim”, “né”, “tá”, “então...”;
- Não conte piadas para entreter o público. Esse recurso pode até ser usado, com parcimônia, em trabalhos de longa duração, como palestras e conferências, mas não se justifica em uma apresentação de 15 ou 20 minutos. A menos que a própria piada seja seu objeto de estudo, isso deve ser evitado em apresentações curtas. O que, de fato, mantém a atenção do público é a qualidade do seu trabalho e a sua desenvoltura na apresentação;
- Não faça movimentos muito bruscos com as mãos. Esse cuidado deve ser redobrado no caso do uso de microfone, para que ele não se converta em uma arma atingindo o primeiro da fila;
- Manter-se ao lado da tela de projeção de frente para o público. Nunca volte as costas para a audiência;
- Não caminhe de um lado para o outro freneticamente;
- Sempre se dirija ao público enquanto estiver falando;
- Nunca extrapole o tempo disponível para a apresentação.
2.2) Quanto aos slides utilizados
- Cuidado para não empregar uma fonte com tamanho, formato e cor ilegíveis. Pode ser muito bonito um convite de casamento escrito em gótico, mas em uma apresentação as palavras precisam ser lidas com facilidade;
- Não use combinações de cores de fonte e pano de fundo do slide que dificultem a leitura do conteúdo projetado. Por exemplo: fonte amarela em fundo branco;
- Nunca sobrecarregar os slides com figuras e animações. Atente para isto: os slides são instrumentos para ajudá-lo a interagir com o público sobre um dado assunto; eles não são um fim em si mesmo. Do mesmo modo, figuras e efeitos devem ser usados para destacar um tópico ou assunto; eles não devem chamar mais a atenção do que o conteúdo. Esses recursos por si só não tornam a apresentação mais didática, ou melhor. E mais: às vezes, o excesso de efeitos pode ter simplesmente a função de ofuscar a fragilidade do trabalho;
- Faça uma apresentação atrativa. Evitar um erro não implica em cometer outro. Não abusar de imagens e efeitos não significa fazer uma apresentação “preta e branca” com apenas uma linha. Isso pode sugerir falta de dedicação e esmero com o seu trabalho;
- Nunca sobrecarregue os slides com textos. De um modo geral, os slides devem conter tópicos e não frases longas. Você pode, ocasionalmente, usar citações (de acordo com as normas da ABNT) para ilustrar ou exemplificar um tópico. Lembre-se: é praticamente impossível não ter sono quando alguém projeta um slide carregado de texto e começa a lê-lo. A sua apresentação não pode dar a impressão de que você, expositor, é dispensável. Por isso, não use a estratégia “recorta e cola” de frases do texto de seu trabalho.
Converta essas frases em teses, que serão descritas em tópicos;
- Não use, além do slide, uma “cola”, como um pedaço de papel para você consultar durante a apresentação. O slide é a sua “cola”. Se houver algum tópico ou assunto difícil de desenvolver sem apoio textual, detalhe no slide. Pense assim: você deve ser capaz falar fluidamente do seu trabalho só olhando para os slides;
- Conheça bem o número e a sequência dos slides. Imagine você anunciar: “agora, no próximo slide, vocês verão ...”, e o que aparece é um tela preta escrito “fim da apresentação”! Isso é, no mínimo, constrangedor e mostra falta de preparo.

3) APÓS A APRESENTAÇÃO DO TRABALHO:
- Não inviabilize o debate. Usualmente, após o término de cada apresentação, é reservado um tempo para que os ouvintes façam comentários e pedidos de esclarecimento do trabalho. Ao extrapolar o tempo de sua apresentação, você pode coibir o debate. Além de ser deselegante com a plateia, isso pode sugerir que você quer se esquivar da discussão,
- Não se estenda nas réplicas. É recomendável ser breve nas respostas para dar oportunidade a outras pessoas participarem do debate,
- Não invente respostas. Você deve dominar o assunto da sua pesquisa, mas isso não significa que você deve saber tudo. A própria pesquisa é um recorte de uma discussão mais complexa e ampla. Seja honesto: quando você não souber responder a uma questão diga simplesmente isso, ou que não dispõe de informação suficiente no momento. A honestidade intelectual é uma das virtudes da ciência. Além disso, não se engane, geralmente a plateia percebe quando alguém está “enrolando”.

Fonte: LAURENTI, C; LOPES, C. E. Dicas para apresentação e apreciação de trabalho oral em eventos científicos. Maringá, 2013. 

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